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Autor: Toni Vasconcelos / Ascom   |   Postado por: Toni Vasconcelos às 18:32 hrs

UNEB, 36 ANOS: Universidade já atendeu 13,3 mil jovens e adultos em educação do campo

Mais de 13,3 mil jovens e adultos das áreas de reforma agrária, em projetos que vão da alfabetização ao nível superior, já foram beneficiados pela UNEB por meio dPrograma Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

A universidade atua com o programa há 20 anos, acumulando neste período larga experiência na produção científica e na circulação do conhecimento em educação do campo, num diálogo entre o saber universitário e o saber dos movimentos sociais e sindicais.

Em solenidade de formatura de uma das turmas do programa, o reitor da UNEB, José Bites de Carvalho, destacou o lugar da universidade, “que se constituiu historicamente no intenso diálogo com os movimentos sociais”.

“A UNEB, junto com o Incra e os movimentos sociais de luta pela terra, assume essa política de formação em educação do campo desde 1999. Já realizamos cursos de alfabetização, escolarização, magistério, técnica agropecuária, Pedagogia da Terra, Letras, Engenharia Agronômica e Direito”, lembrou.

Na avaliação do reitor, “a proximidade com os movimentos sociais é uma fonte de aprendizagem para a universidade. É por meio dessa relação que revisamos processos formativos e inauguramos formas de pensar que atendam as demandas sociais. Isso permitiu firmar a educação do campo como uma política permanente de formação, colocando a UNEB em outro patamar que não é mais o de gerente de programas especiais, mas de proponente de políticas públicas”.

Para assegurar maior consistência e capacidade de articulação a essas políticas públicas, bem como a estruturação de uma política permanente de atendimento as demandas apresentadas pelos sujeitos do campo, a UNEB criou há dois anos o Centro Acadêmico de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial (CAECDT).

Segundo a coordenadora do CAECDT, Rosana Mara Chaves, “o centro se traduz numa experiência concreta de articulação dos movimentos populares e sindicais do campo com a universidade, no enfrentamento da crise atual, e na institucionalização da educação do campo na UNEB”.

Vinculado ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), autarquia do governo federal, o Pronera atende a jovens e adultos de assentamentos com o acesso a cursos de educação básica (alfabetização, ensinos fundamental e médio), técnicos profissionalizantes de nível médio, cursos superiores e de pós-graduação (especialização e mestrado).

O programa também capacita educadores para atuar nos assentamentos e coordenadores locais, que atuam como multiplicadores e organizadores de atividades educativas comunitárias.

História de lutas e conquistas

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária foi implantado na UNEB em 1999, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (Proex), a fim de atender a demandas por alfabetização e escolarização em áreas de assentamentos e acampamentos de reforma agrária, por parte dos movimentos sociais e sindicais do campo.

A atuação da comunidade acadêmica no programa se lastreia na premissa da construção coletiva de saberes voltados para demandas sociais emergentes, visando a melhoria da qualidade de vida, ancorada no desenvolvimento humano e na sustentabilidade ambiental.

O compromisso social da universidade e a luta dos movimentos sociais do campo pelo direito à educação possibilitaram a continuidade de projetos educacionais com o objetivo de desencadear um amplo processo de educação nas áreas de reforma agrária.

A coordenadora Rosana Mara destaca os seguintes projetos desenvolvidos nestes 20 anos de Pronera na UNEB:

► Letras em Movimento (1999 / 2001) – projeto de alfabetização e escolarização em áreas de reforma agrária que alfabetizou 7.271 jovens e adultos e complementou a escolaridade de 5ª à 8ª séries de 330 assentados e acampados, monitores das salas de alfabetização. Departamentos/campi da universidade envolvidos: Barreiras, Teixeira de Freitas, Irecê, Bom Jesus da Lapa, Alagoinhas, Juazeiro, Jacobina e Eunápolis.

► Educadores do Campo em Formação (2002 / 2004) – curso de ensino médio na modalidade normal habilitou 139 educadores de escolas de assentamentos da reforma agrária. Departamentos/campi da universidade envolvidos: Teixeira de Freitas, Bom Jesus da Lapa e Itaberaba.

► Pedagogia da Terra (2003) – licenciatura plena em Pedagogia com habilitações nas Séries Inicias do Ensino Fundamental, em Educação de Jovens e Adultos (EJA) e em Gestão dos Processos Pedagógicos Escolares e Outros Espaços Educativos. O curso graduou 92 trabalhadores acampados/ assentados na Bahia. Departamentos/campi da universidade envolvidos: Teixeira de Freitas e Bom Jesus da Lapa.

► Pé na Estrada (2004) – projeto pensado a partir da demanda apresentada pelos movimentos sociais de luta pela posse da terra. A proposta pedagógica articulou três eixos temáticos: Questão política da posse da terra, Agricultura Orgânica e Valorização da vida. A ação escolarizou nas séries inicias 1.750 jovens e adultos assentados/acampados e capacitou 120 monitores em sete regionais. Departamentos/campi da universidade envolvidos: Teixeira de Freitas, Serrinha, Itaberaba, Irecê, Bom Jesus da Lapa, Eunápolis e Ipiaú.

► Curso técnico de nível médio integrado em Agropecuária Sustentável (2004) – projeto, que formou 151 jovens e adultos assentados/acampados, se baseou na premissa de que os acampamentos e assentamentos devem ser espaços de construção de um modelo sustentável de agricultura, que se contrapõe à atual degradação ambiental, e devem contribuir para a superação da pobreza e da exclusão social. Departamentos/campi da universidade envolvidos: Barreiras, Serrinha, Irecê e Eunápolis.

No Cio da Terra, o germinar das Letras em Movimento (2005) – curso de licenciatura plena em Letras com habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa formou 96 jovens e adultos trabalhadores que atuam nas áreas de assentamentos vinculados aos movimentos sociais do campo. Departamentos/campi da universidade envolvidos: Teixeira de Freitas e Conceição do Coité.

Bacharelado em Engenharia Agronômica (2006) – com ênfase em Agroecologia e Socioeconomia Solidária, o curso habilitou 85 trabalhadores assentados, graduando profissionais capacitados para enfrentar problemas e potencialidades regionais, sendo focado na práxis da agricultura familiar e no desenvolvimento sustentável dos assentamentos. Departamento/campus da universidade envolvido: Barreiras.

Bacharelado em Direito (2012) – formou 44 bacharéis, com concentração de estudos interdisciplinares nas áreas das ciências humanas e sociais, para atuação nas diversas atividades do campo jurídico, na perspectiva do processo de transformação da sociedade. Departamento/campus da universidade envolvido: Salvador.

“Dois novos cursos do programa aguardam liberação de recursos: bacharelado em Agroecologia e especialização em Educação do Campo”, conclui Rosana Mara.

UNEB, 36 ANOS: UMA HISTÓRIA DE TODA A BAHIA (clique nesse link para saber mais)

Imagem: Divulgação, com selo da Ascom