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Repórter: Reprodução do Jornal da Ciência   |   Postado por: Wânia Dias às 14:31 hrs

Presidente da Capes anuncia edital para internacionalização de universidades brasileiras

Durante conferência na Reunião Regional da SBPC no Cariri, Abílio Baeta Neves, presidente da Capes, anunciou que ainda neste ano será lançado edital que possibilitará o desenvolvimento de até 40 projetos focados na internacionalização das universidades

O presidente da Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Abílio Baeta Neves, afirmou que, ainda neste ano, será divulgado um edital focado em programas de internacionalização de universidades. O comunicado foi feito durante conferência proferida por Neves na manhã dessa quarta-feira (3), na Reunião Regional da SBPC, que está sendo realizada na Universidade Regional do Cariri (URCA), na cidade de Crato, Ceará.

 De acordo com o presidente da Capes o cenário de internacionalização das universidades do País ainda é muito limitado e necessita de incentivo para crescer. Neves afirma que grande parte dos recursos da Capes destinados a bolsas e projetos de pesquisa, em parceria com instituições estrangeiras, é concedida ao pesquisador, ou grupos de pesquisadores, não necessariamente à instituição.

Ainda assim, ele comenta que 64% dos docentes e pesquisadores brasileiros, ativos em programas de pós-graduação stricto sensu em instituições no País, não têm nenhuma experiência no exterior. E um número ainda maior trabalha nas próprias instituições onde se formaram, provocando a endogenia acadêmica e a formação de “paróquias”.

O objetivo do edital, que tem previsão de ser implantado a partir de 2018, é atender a até 40 programas que possibilitem uma ampliação do quadro de cooperação e inserção internacional das instituições de ensino superior e pesquisa no Brasil.

O presidente da Capes comentou que o programa Ciência sem Fronteiras (CsF), implantado pelo governo anterior, foi uma lição a ser aprendida. “Esse programa transformou o Brasil em um grande consumidor de ensino superior em outros países”, criticou. Neves afirmou que os valores investidos no CsF, cerca de 5,2 bilhões de reais, em menos de 5 anos, equivalem ao montante, por exemplo, dos investimentos da Alemanha durante os últimos 10 anos com a implantação de programas de excelência nas universidades alemãs.

A Capes atua em três frentes principais dentro do sistema de pós-graduação brasileiro. Primeiro no custeio de cursos e bolsas. Depois, na avaliação da pós-graduação que começou a ser implantada há cerca de quatro décadas e, ainda que se tenham críticas quanto à atuação das comissões, é responsável pelo desenvolvimento de todo o sistema de pós-graduação. E, por último, no acesso à informação possibilitado pelo Portal dos Periódicos, que hoje atende a cerca de 400 instituições em todo o País. Já temos cerca de 34 mil títulos de periódicos de todo o mundo à disposição, e o Portal está em constante crescimento.

Nos últimos 10 anos, a Capes também passou a ser responsável pela formação de professores de ensino fundamental e médio, assunto que não foi tema dessa conferência.

Situação no País

Neves comentou que ainda existe muita disparidade regional no sistema de pós-graduação. A região Norte do País continua sendo a mais problemática, com um número ainda muito inferior de programas, se comparado ao Sul e Sudeste. O Nordeste, segundo o presidente da Capes, teve um crescimento expressivo nos últimos anos.

O ano de 2015 foi bastante negativo para a pós-graduação, pois 3400 bolsas foram retiradas do sistema. Houve uma recuperação de 2600 bolsas em 2016. Existem hoje cerca de 213 mil estudantes de PG no Brasil, e cerca de 100 mil contam com auxílio da Capes. São cerca de 7 mil programas de pós-graduação já implantados, e aproximadamente 4,6 mil novos programas estão sendo submetidos a avaliação. Portanto, de acordo com Neves, o sistema continua crescendo.

O orçamento da Capes para este ano, de 4,5 bilhões de reais, é quase o dobro do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o que é considerado como uma distorção pelo presidente da Capes. Ele acredita que isso precisa ser corrigido, para haver maior equilíbrio do sistema de pesquisa e pós-graduação no País.

Apesar dessa distorção, o presidente da Capes comemora o fato de que o orçamento da instituição que preside tenha sido preservado. Neves acredita que, em 2018, o orçamento da Coordenadoria poderá chegar a 5,6 bilhões de reais.

A mesa da conferência foi presidida pela presidente da SBPC, Helena B. Nader, que celebrou o fato de que a internacionalização da ciência brasileira deve muito ao sistema de avaliação que vem sendo implantado pela Capes há mais de 40 anos.

 Fabíola de Oliveira – Jornal da Ciência

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