Campo da Cultura e Artes

Assessoria Especial de Cultura e Artes

Campo da Cultura e Artes

PROJETO EM CADA CANTO UM MUNDO

Grupo Criativo de Formação  

______________________________________________________________________________________________________________

 

APRESENTAÇÃO

Este texto tem por objetivo propor, justificar e instrumentalizar institucionalmente, dentro do contexto mais amplo de proposições, a criação do campo das artes e da cultura no âmbito da formação acadêmica na UNEB.

Este documento geral, que serve como base e estratégia da instalação desse Campo, ao refletir sobre a UNEB e a Cultura, lança, entre outros temas, os eixos fundamentais para a criação de cursos de graduação, de cursos de pós-graduação, bem como de ações culturais de natureza extensionista.

A composição nasce, no projeto da ASCULT[1], do plano de ação de Formação. Mas, pelos seus princípios, subsidia os outros grupos, tais como Comunicação, Produção e Economia Criativa, direta ou indiretamente. É também o texto básico para subsidiar consultas do CONSU, quanto a diretrizes, dentro do Campo maior da Cultura e das Artes, que devem ser seguidas, para a criação de ações artístico-culturais. Tomou-se por base as diretrizes ligadas à formação, detalhando-as, a partir das discussões do grupo de trabalho instituído e de documentos produzidos sobre o assunto pelos seus membros.

O documento aqui intitulado “O campo da Cultura e das artes na UNEB – Campo Formativo” recebeu aportes e foi coordenado pela Profa. Dra. Isa Trigo e o consultor externo Prof. Dr. Sergio Coelho Borges Farias; compuseram a equipe de discussão e elaboração também os professores Ricardo Freitas, Djalma Fiuza, Verbena Mourão e a assessora Qhele Jemima.

 [1] A ver o Regimento da ASCULT.

 

UM POUCO DA HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DO CAMPO DA CULTURA E DAS ARTES SOB NOSSA PERSPECTIVA: 2009-2018 

Desde 2009, uma equipe de docentes composta inicialmente pelas Professoras Dras. Isa Trigo e Marcea Sales, e posteriormente também pelos Professores Drs. Djalma Fiuza e Ricardo Freitas, vem discutindo e pensando a implantação de cursos de Artes e, assim também, a reflexão e sistematização do campo da Cultura no âmbito da UNEB.

Através de diálogos mantidos com docentes do campus I e em outros Campi e Universidades[2], o projeto foi ampliado, resultando na criação do Programa Sertão Mar[1], na transferência da Professora Dra. Isa Trigo para a Coordenação da Plataforma Freire (PARFOR) Licenciatura de Artes Visuais (10 polos de Licenciatura em Artes Visuais) e também, na representação por parte desse grupo de discussão, em diversas instâncias de Cultura, tais como: Conselho de Formação em Cultura, Colegiado Setorial de Artes, Secretaria de Formação em Artes do MINC, dentre outras.

Desde então, foram realizadas diversas ações visando fomentar, propor e implementar ações em Cultura e Artes consonantes com as necessidades e prioridades da UNEB, através da criação de suas próprias políticas públicas de Cultura, definidas de forma democrática e abrangente.

O então Núcleo de Artes e Cultura (NART), e posteriormente ampliado em ASCULT, dedicou-se, a partir da equipe inicial já citada, à elaboração de propostas curriculares para as Licenciaturas de Dança, de Teatro e de Música; dessas três, a de Música entrou em funcionamento como Licenciatura Especial em 16 de agosto de 2018, e a de Teatro está finalizada e aguardando envio ao CONSU. A de Dança, próxima à sua finalização, encontra-se suspensa, a partir de avaliação da Administração Central quanto à sua exiquidade no momento.

As propostas curriculares foram feitas a partir de trabalho conjunto com assessorias externas, visitas e consultas amplas a comunidades interessadas. Os consultores Sergio Coelho Borges Farias, Alexandre Molina e Maria Eugenia Millet, durante o ano de 2012 (e Sergio Farias até a presente data), subsidiaram e construíram as propostas das licenciaturas de Dança e de Teatro – paralisadas em 2013, no âmbito da PROGRAD, até inicio de 2015.

Nessas ações, destacaram-se as consultas feitas de forma ampla, especialmente no que tange ao campo do Teatro e das Artes Cênicas, a diversos representantes e diretores de escolas públicas da rede municipal e estadual[2]. As discussões subsidiaram e fortaleceram a diretriz de criação de Licenciaturas[3], por terem a presença de educadores artistas que conhecem profundamente a realidade do ensino de Teatro nas Escolas de Salvador e em ONGs.

Na área da dança, através do professor Alexandre Molina[4], o principal propositor e criador do projeto de Currículo de Dança para a UNEB, tivemos acesso ao resultado de diversos encontros setoriais de dança. O que nos trouxe material e informação privilegiados acerca das demandas da comunidade de dançarinos do Estado da Bahia.

Em 2010, foi criada a EXPOTUDO, um evento que periodicamente, apresenta todo tipo de resultado artístico e cultural, indo desde palestras, até dança, teatro, canto, música, filmes e shows, trazendo a temática para o âmago da nossa comunidade universitária. Este evento é talvez a face mais visível do trabalho da ASCULT. A última edição ocorreu em maio de 2018.

Em março de 2015, é efetivada pelo Reitor a criação da Assessoria de Cultura e Artes da UNEB. Que congrega os esforços e programas já iniciados e organizados, bem como acolhe o NART, antes vinculado à Pró-Reitoria de Extensão – PROEX.  Congrega também dois grupos de Pesquisa, CARPA e GUPEMA[5]; e concentra a elaboração dos projetos de criação das Graduações (Licenciaturas) de Artes, e da futura instalação desses cursos em regime de Licenciaturas Permanentes, com localização a ser definida oportunamente, mas já proposta para o Centro Histórico de Salvador[6].

Zela, portanto, a ASCULT, e mais claramente, a equipe de trabalho formada para tal fim, pela proposição sobre a criação de projetos de implantação dos cursos de graduação e de pós-graduação do campo das Artes; sempre em consonância com as Pró-Reitorias específicas e com sua comunidade em geral, dentro dos limites pedagógicos e institucionais constituídos.

[2] Em Abril de 2013, a convite de uma das redatoras do Curriculo de Licenciatura em teatro, a profa. Dra. Maria Eugenia Milet, realizamos um encontro de 8h com professores, diretores e lideranças da cidade de Salvador. Tanto municipais quanto estaduais. Maiores detalhes se encontram nos arquivos da ASCULT, sob a forma de lista de profissionais que participaram da reunião na UNEB.

[3] Entre essas comunidades foram consultadas, à época, os cursos de Teatro e de Dança da UFBA, houve conversas com professores do Curso de Dança da UFPE e também com professores da UFPB. Também houve reuniões e encontros com representantes da Fundação Cultural da Bahia, e sua Escola de Dança, e com representantes da Escola de Artes da FUNCEB-BA.

[4] O professor era, na época, o coordenador geral da divisão de Dança da Funceb (2007-2013) e dos Foruns de Dança no Estado da Bahia. Tendo sido também o redator do relatório geral da FUNCEB da 1ª gestão do Secretário Albino Rubim.

[5]Contemporaneidade em Artes e Pesquisas Articuladas (CARPA) e Grupo de Pesquisa e Estudos em Mídias Alternativas e Midiativismo (GUPEMA) – Disponível em: <https://gupema.wordpress.com/about/>. Acesso em: 23 jan 2015.

[6] É importante que se diga que, em especifico para os projetos de Cursos, já há um em finalização, que é o de Teatro de Salvador, um em funcionamento, que é o de Teatro de Bonfim, coordenado pelo prof. Dr. Reginaldo, e um já em fase de seleção de alunos, o Licenciatura especial em Música, numa parceria com o NEOJIBÁ, coordenado pela profa. Edineiram Maciel.

 

CULTURA NA AÇÃO UNIVERSITÁRIA

A CULTURA, em suas diversas manifestações e ações, transversaliza tudo. Desde a simples ação de falar ou definir gestos à de escolher ambientes, caminhos de vida individuais e sociais.

O ser cultural está no âmago do menor gesto, que vai desde o tomar um café, nas suas mínimas escolhas, até a forma como se anda em cada lugar. O ser humano é um ser da Cultura, e em todos os momentos a sua história cultural e suas influências definem o que ele fará e será, e são por ele definidos.

No Plano de Ações Prioritárias da UNEB (2014) [7], são definidos os seguintes eixos:

Ampliar o acesso à educação superior, especialmente em regiões com baixo desenvolvimento socioeconômico, atender aos grupos populacionais socialmente vulneráveis, formar profissionais competentes, contribuir com o desenvolvimento regional, cultivar valores humanos e a cidadania, promover a pesquisa científica e aplicada, desenvolver projetos sociais, dentre outros (p.15).

Observando cada uma dessas afirmações, quando se fala em populações vulneráveis ou em formação de profissionais, ou no cultivo de valores humanos e cidadania, tudo tem na sua raiz básica a cultura e suas formas na sociedade e dentro de cada um. Não se consegue trabalhar com comunidades sem respeitar suas diversidades, sem acolher, sem dialogar com elas. E isso passa pelo reconhecimento cultural de si mesmo e dos outros. Não se consegue formar ou educar se não se respeita ou compreende como se formam as percepções, as sensações, as motivações. E essas estão sempre ancoradas no que é importante para o indivíduo, e isso é cultural na sua essência.

A cidadania também, não se consegue sem entender a cultura do outro. Por exemplo, todos sabem que simplesmente raciocinar sobre não jogar o lixo na rua é insuficiente para mudar a atitude cultural dos sujeitos que jogam lixo na rua. Como diz José Marcio de Barros[8], “Sem cultura não se sai de casa”, pois sem cultura a pessoa não sabe sequer quem ela é, ou o que é de valor ou não no seu modo de ser e na sua vida. Sabem disso bem os colonizadores em todas as épocas, pois um povo que não se reconhece é um povo sem autoestima, sem face e fácil de manobrar e de subordinar. Em contrapartida, o sujeito (indivíduo) que se reconhece enquanto sujeito e produtor de cultura assume seu papel de cidadão e de indivíduo de maneira profunda e eficaz. E amplia isso para todas as esferas de sua vida social e educacional.

E a UNEB nesse contexto? A Universidade tem como Missão [9] “a produção, difusão, socialização e aplicação do conhecimento nas diversas áreas do saber”. Nesse sentido, ratificando o lugar de formação e a larga abrangência que esta universidade tem através de seus 24 campi, chegando a mais de 18 dos 27 territórios de identidade do Estado, conforme apresenta em seu PPI (Projeto Pedagógico Institucional[10]), e a todos estes territórios se considerados os projetos e programas especiais, é imprescindível, para levantar questões a respeito do tratamento da cultura na UNEB, que se pense um pouco sobre suas características únicas.

A UNEB é a universidade do Estado com maior penetração, percolaridade, diálogo e serviços educacionais prestados à causa da educação superior no Estado da Bahia, nesses últimos 30 anos. Apesar de não ter cursos de arte em caráter permanente, prestou e presta serviço a essa causa, através do PARFOR de Artes Visuais, projeto reconhecido principalmente dentro da Secretaria de Cultura do Estado, que, ao fazer seus levantamentos de formação reconheceu, desde a primeira gestão do ex-governador Jacques Wagner, que a diferença entre graduados e não graduados trabalhando na área cultural tinha sido estabelecida no interior do Estado pela UNEB[11].

Ou seja, a responsável pela melhoria de condições de formação no campo da cultura foi mesmo a nossa universidade. E isso atingiu, diretamente, os gestores da cultura dentro de cada território. Ou seja: no interior, a gestão da cultura é formada na UNEB.

Assim, e em apenas um dos seus aspectos, o impacto que a UNEB teve e continua tendo na formação dos sujeitos que lidam com a cultura é o maior dentre todas as universidades, federais ou estaduais.

Ao lado disso, nesses trinta e poucos anos, temos apoiado ações de arte e cultura, formal ou informalmente, em cada campus, em todos os nossos territórios; que se concretizam em instalações de prédio, cessão de serviços e outras inúmeras modalidades de cooperação, reconhecidas pelas comunidades do interior quanto à UNEB.

Mesmo assim, a universidade não tem um registro sistemático do que fez, não aparece na maior parte de seus apoios, e não valoriza o seu papel nas ações culturais e de formação de agentes da cultura, não sistematiza nem divulga, enquanto instituição, o que faz.

Em muitas cidades do interior, a aspiração de ser “médico, padre, delegado e advogado” ainda vigora. A UNEB joga um papel simbólico e concreto, dentro do jogo de expectativas e de realização formativa da população de seus polos e dos municípios onde instala seus cursos, que é a diferença entre ter ou não ter alternativa de formação superior no lugar onde você mora. E esse é o seu principal capital simbólico.

Devido aos seus trabalhos e ações durante esses mais de trinta anos, as equipes da UNEB conhecem os modos culturais de cada comunidade e de seus gestores, dialogando tanto com as autoridades políticas quanto com as instâncias sociais e pedagógicas formativas da educação básica nos municípios onde tem sede. A instituição, portanto, administra os diversos jeitos baianos para manter-se funcionando.

Por ter enfrentado, durante décadas, as dificuldades trazidas pelas longas distâncias e ter aprendido a gerenciá-las, tem hoje, um trânsito e um diálogo com as instâncias que a tornam agente de proposição e de influência dentro das comunidades que acessa e que a acessam.

Para o bem ou para o mal, acabou por estabelecer um padrão de resultados universitários, sociais, formativos e, consequentemente, culturais, que influenciou e influencia fortemente os gestores educacionais, culturais e outros, dentro dos territórios, devido à sua formação ter se dado muitas vezes unicamente a partir dos estudos dentro da Universidade.

O nível de percolação e de colaboração construído com as comunidades dos diversos territórios nas quais implementou seus cursos ao longo desses mais de 30 anos no Estado da Bahia é profundo; e atinge a formação dos habitantes de cada polo, cidade e localidade onde atua. Isso é a UNEB. Do ponto de vista da Cultura, é como se estivéssemos sobre um dragão adormecido. Tem poder para despertar nas pessoas e comunidades a sua própria consciência de si, mas não atenta para isso, nem mesmo dentro de sua casa. Tendo o ouro, o distribui como se fosse poeira. E não registra, não sistematiza, não é capaz de dizer o que fez, faz ou o que pretende fazer nessa área, essa é a situação da instituição no campo da Cultura e das Artes.

A estratégia da ASCULT, então, de forma geral, é visibilizar, sistematizar e apoiar, com base em critérios claros, as ações de cultura e de artes da UNEB no Estado. Isso coloca a universidade numa posição que ela não tem normalmente, do ponto de vista simbólico; supre uma demanda ligada às classes populares; oferece um lócus de integração e de ajuda aos esforços do Estado para revitalização do Centro Histórico; e dá o exemplo para novos cursos em outros Campi, a partir dessa ação.

É importante ressaltar nesse contexto, o Plano de Desenvolvimento Institucional[12] (PDI) 2017-2022, aprovado pelo CONSU, através da Resolução nº 975/2013, em que a universidade compromete-se com a formação integral do indivíduo. Tal assertiva pode ser observada no subitem 2.2- Princípios Filosóficos e Acadêmicos, a UNEB busca implementar  ações  “ referenciadas no caráter humanístico voltadas para a formação de seus estudantes como agentes históricos, capazes de refletir e agir sobre as dimensões econômicas, tecnológicas, sociais, culturais, artísticas literárias das comunidades onde atuam” (grifo nosso).

Além disso, nesse mesmo documento, a UNEB corrobora com o comprometimento em ampliar o papel da universidade no desenvolvimento cultural dos municípios e regiões nas quais está inserida, haja vista que o objetivo da instituição é “promover o desenvolvimento das potencialidades econômicas, tecnológicas, sociais, culturais, artísticas e literárias da comunidade baiana” (grifo nosso). 

[7] Disponível em http://www.uneb.br/files/2014/06/relatorio_pap_2014.pdf, acessado em 03/08/2018.

[8] Em conversa com Profa.Dra. Isa Trigo, citando vídeo feito com ele, do BNDES, em outubro de 2014, no curso de Especialização em Gestores Culturais, do MINC/UFBA/FUNDAJ.

[9] Estatuto da UNEB, 2012; Art. 1º § 1º.

[10] Plano de Desenvolvimento Institucional 2017- 2022 UNEB. Disponível em: https://portal.uneb.br/proplan/wp-content/uploads/sites/64/2018/03/PDI_2017_2022-.pdf acesso em:27 jul.2018.

[11] Depoimento dado pela então Gerente de Territórios de Identidade da SECULT, a Sra. Angela Andrade. Posteriormente, assessora do Ministro Juca Oliveira no MINC.

 [12]Plano de Desenvolvimento Institucional 2017- 2022 UNEB. Disponível em: https://portal.uneb.br/proplan/wp-content/uploads/sites/64/2018/03/PDI_2017_2022-.pdf acesso em:27 jul.2018.

 

CAMPO DAS ARTES NA UNEB – TEXTO BALIZADOR 

EIXOS GERAIS DE PROPOSIÇÃO

Quando se pensa um plano para a área das Artes, é fundamental pensar na articulação das artes entre si e com a Cultura de um modo geral, com a Comunicação e com a Educação. Se pensarmos ainda em disciplinas, no formato tradicional de currículo, teríamos formações voltadas para as artes visuais, o teatro, a dança, a literatura, a música e o cinema e audiovisual.  São esses os seis campos, denominados como “linguagem”, mais tradicionalmente reconhecidos. Além deles, há misturas, conexões e diálogos, já feitos, e que podem ser contemplados dentro da Graduação, e pelas atividades diversas, especialmente se o lócus dos cursos oferecer possibilidades físicas e curriculares de conexão.

Consideramos que se deve trabalhar de maneira articulada estas “disciplinas” tradicionais, num âmbito de atuação com interfaces, com hibridismos, numa perspectiva contemporânea, considerando tudo o que está sendo criado e experimentado pelas pessoas em termos da arte em redes sociais, na internet, na informática, enfim, na combinação entre arte e tecnologia avançada.

Alguns parâmetros são norteadores desta proposta conceitual. Focalizaremos, em primeiro lugar, as Competências Técnicas e Teóricas. Isso significa que as pessoas devem estudar de forma aprofundada um campo do conhecimento e refletir sobre alguma coisa que elas fazem; em termos tradicionais, busca-se superar a dualidade, no sentido de promover a articulação da teoria com a prática; uma ênfase no eixo da prática será sempre acompanhada pelos aportes teórico-metodológicos, visando aprendizagens de conteúdos, habilidades e atitudes. Isso é o primeiro item geral.

Um segundo item é a questão do Direito à Cultura e à Arte, do direito aos saberes; o saber considerado de um modo amplo, não somente o saber “mental”, mas o saber advindo do campo sensorial, estético. O direito à cultura requer um posicionamento político, para se desenvolver uma área de artes que contemple as competências artísticas e que seja (matéria) campo de trabalho político para favorecer o acesso amplo e democrático à cultura por todas as pessoas envolvidas.  Trata-se de um campo conceitual traduzido como educação política.

O terceiro item refere-se a trabalhar na perspectiva de uma Educação Integral, multi-inter-transdisciplinar, desenvolvendo outras capacidades humanas, além do pensamento: as sensações, os sentimentos, a intuição. Então, o eixo é que não nos limitemos ao conhecimento da coisa em si, do conteúdo e da reprodução, do uso da memória, das coisas que as outras pessoas já fizeram, apenas; mas que, a partir de uma vivência estética, sejam trabalhadas outras importantes dimensões humanas: a cooperação, a criatividade, a percepção, a inteligência emocional e sensorial.

E finalmente, para concretizar esses tópicos anteriores, o quarto item seria pensar no trabalho constituído por práticas colaborativas em rede. Pensar que todo trabalho feito deve ter – e normalmente tem – uma perspectiva de aprofundamento, de multiplicação e de articulação, por meio de contatos, trocas, presenças, compartilhamentos. Este item é voltado também para a formação da autonomia, para que as pessoas possam aprender a escolher.

São inclusive dois conceitos importantes, esses: o da presença e o da autonomia, que norteiam a elaboração desse plano de implantação da área de Artes, em torno desses quatro itens fundamentais:

Competências Técnicas e Teóricas

– Direito à Cultura e à Arte

– Educação Integral mit-disciplinar

– Práticas colaborativas em rede

O perfil do docente, para qualquer componente curricular, deve ser o de ter um conhecimento amplo, geral e em uma perspectiva articulada de trabalho interdisciplinar; já contando com o fato de como o sistema nacional de educação está tratando a educação em termos de proposta/cultura, com base no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Pelo ENEM, já há um interesse na reformulação dos sistemas educacionais, numa perspectiva de formação interdisciplinar do professor. Naturalmente, isso não pode ser implantado de cima para baixo; porque o professor, em geral, não está preparado. É preciso considerar que a educação não é mais feita somente na escola no sentido de que era ali e só ali que estava o saber e o professor era o transmissor, o professor como veiculador desse saber que estava no livro, estava no documento, enfim.

Os processos educativos já estão bem mais disseminados na sociedade como um todo, as pessoas já têm um pouco mais de acesso, pelo menos têm uma ideia de que existe mais informação, que tem acesso pela internet a inúmeros materiais, que não se limitam àquilo que existe na biblioteca.

É preciso considerar a importância da vivência em Arte, sendo avaliada cada vez mais como um material, não só passível de observação e de discussão, como também relevante emocionalmente, sensorialmente, academicamente.  Os sujeitos – seja o professor ou aluno – passam a se constituir como elementos próprios de ensino e aprendizado.  Estamos assim, de alguma maneira, colocando as poéticas em pauta.

Por fim, o que se deseja como resultado final é formar o artista professor a partir dos quatro eixos indicados.

 

Salvador, 20 de setembro de 2018

 

Comissão de Criação dos cursos de Graduação em Artes da Universidade do Estado da Bahia

Coordenação e redação: Isa Trigo e Sergio Coelho Borges Farias

Equipe: Alexandre Molina, Marcea Salles, Maria Eugenia Millet, Ricardo Freitas, Verbena Mourão.